Jaqueta preta camisa verde.
Você sua, está cansado. Está sem ar. Sua sunga está apertada. Aquele apartamento te sufoca. Você não suporta mais aquele quarto, aquela sala. Aquelas lembranças. Foram mais de 10 anos morando no mesmo lugar. Chega um dia, você faz vinte anos. Duas décadas.
Perto da meia-noite, você sai de lá. Foge. Anda, rápido para o bar que fica entre duas ruas. Não sabe se vai ficar lá dentro, no bafo. Lá, sentado na linha de fogo do fraco ventilador.Ou se ficará do lado de fora, nas mesas na altura do umbigo, mais ou menos. Em cima do asfalto daquela rua com nome de mulher.
Aquele cara de jaqueta preta, e camisa verde, manchada de suco de maracujá. Esse cara pára. Olha para frente. Respira.
Ele olha para os borrões. Sombras no nevoeiro. Sombras produzidas pelos seus olhos imperfeitos. O som de várias conversas simultâneas. Conversas de bar. Ele olha e vê um carro, seguindo o fluxo da rua. Rio de asfalto. O motor. O barulho dos pneus deslizando na rua mal recapeada.
O movimento agitado dos pensamentos. Viagens intergaláticas-mentais-espirituais. A tensão em seu corpo. Este, está cansado.
Ele quer uma mulher.
Ele quer uma vida comum.
Ele quer não querer uma vida comum.
Cansou. Então pára, escuta e inspira o ar poluído pela malandragem, urina, queimas imperfeitas, suor, sangue, lágrimas e peidos.
Você desliza o cigarro entre três dedos. Trouxe apenas um para que seu maço não acabe tão cedo. Você pensa: "Devo ou não devo?".
Certamente você quer. A fumaça, a sensação, a fuga. O Ritual.
Somos como os socialistas nos EUA na época do macarthismo.
Bruxas dos anos 10.
E você simplesmente não consegue ficar sentado por 5 minutos.
Lembra de uma cena de um programa que assistiu pela internet. Sobre um sujeito parecido com ele. Satou Tatsuhiro.
BRING THE BOYS BACK HOME!
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