sexta-feira, 4 de março de 2011

Café.

“Na verdade, é tudo uma questão de remontar os componentes na ordem correta…” – Doutor Jonathan Osterman/Dr. Manhattan - Watchmen


Naquele quebra-cabeças que chamam de cubo mágico, tudo flui como uma onda. Suave. Ele conhece aquilo, aquela coisa. O cubo pode estar de qualquer forma. Ele sabe como resolver. Perdeu a conta de quantas vezes já fez aquilo. Por algum tempo ele treinou, era seu hobbie. Ele sequer pensa nas letras, os movimentos ocorrem com um simples impulso nervoso. Ele brinca, improvissa, erra volta atrás, e finalmente termina. Embaralha e começa tudo novamente. E em seu aparelho que toca música, baixada da internet, escuta alguma canção de outro continente, não tem a menor idéia do que significa aquela letra no idioma que ele nem sabe qual é. Mas aquilo agrada a seus ouvidos.

Jonas se lembra de um vídeo de comédia dos anos 90 que viu na internet. “Welcome to Rio!” Dizia o personagem, vestido como aqueles policiais dos seriados americanos dos anos 80. Lembra-se de um livro que quase terminou de ler sobre códigos, anos atrás. Falava da Enigma dos alemães na Segunda Guerra, das palavras em Navajo usadas pelos norte-americanos. Criptografia quântica. O capítulo incompleto.

Jonas deixa seu cubo na pequena mesa. Olha para a calçada a sua frente e vê um segurança.

O segurança está lá, de pé. Posição padrão. Cara séria, como a dos guardas da Inglaterra. Aqueles homens que vestem vermelho, chapéus de pelo negro. Jonas está sentado em um café que fica a uns 20 passos de distância da sua casa. Ele foge. Foge na imaginação. Foge no cheiro do café. Foge na fumaça do cigarro, no barulho do brinquedo dos anos 80. Embaralhado. Para resolver um cubo, antes é preciso bagunçá-lo. E de repente, ele pausa.

Aprecia a rua. Sua.

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